cultura do cancelamento

16-10-2020

Como a cultura do cancelamento pode afetar as organizações?

Entenda o que é a cultura do cancelamento, como ela surgiu, suas características e como ela pode afetar as marcas e as empresas

 

Com o avanço da digitalização da economia, percebemos que cada vez mais as pessoas e as organizações estão mais conectadas.

Para entendermos um pouco mais destes números, uma pesquisa da Social Media Trends 2019 revelou acerca das empresas brasileiras e das redes sociais:

 

  • 97,5% estão presentes no Facebook;
  • 89,4% estão presentes no Instagram;
  • 62,6% consideram que as redes sociais têm um papel muito importante;
  • 75,6% afirmam analisar os resultados nas redes sociais.

 

Ou seja, estar presente digitalmente e, em especial, nas redes sociais é fundamental para grande parte das organizações.

Porém, uma das características deste ambiente digital e social é a existência do tribunal da internet e da política de cancelamento.

E para entender um pouco mais sobre esse assunto, assim como as consequências para a marca, o tema do post de hoje é exatamente sobre isso: a política de cancelamento.

 

 

 

O que é a cultura do cancelamento

 

Com a maior conexão entre as pessoas, veio também a maior facilidade de romper tais laços.

No mundo das redes sociais, a cultura do cancelamento é muito presente, especialmente no Twitter.

 

Mas, afinal, o que é cancelar uma marca, uma celebridade ou uma pessoa?

 

Cancelar, neste contexto, torna-se sinônimo de boicote. Assim, uma marca ou celebridade podem ser canceladas quando fazem algo considerado ofensivo, polêmico ou preconceituoso.

 

Assim, a cultura do cancelamento envolve a intenção de uma conscientização e interrupção do apoio a uma determinada personalidade, político ou marca devido à demonstração de algum tipo de postura considerada inaceitável.

Além disso, outra característica da cultura do cancelamento é que ela costuma ser uma onda momentânea e extremamente veloz.

E não existe uma regra para que haja esse cancelamento: desde temas que envolvem uma maior conscientização, como a questão do racismo e do feminismo, até temas mais banais, como falar mal de determinado artista, podem gerar uma onda de cancelamos virtuais. Mas, afinal, como surgiu essa cultura do cancelamento?

 

 

Como surgiu a cultura do cancelamento?

 

A prática da cultura do cancelamento, assim como o termo, já está presente há alguns anos no ambiente digital.

Porém, em 2019 ele se tornou ainda mais relevante quando o Dicionário Macquarie elegeu o termo do respectivo ano.

Para o dicionário, a cultura do cancelamento é “um termo que captura um aspecto importante do estilo de vida deste ano (2019). Uma atitude tão persuasiva que ganhou seu próprio nome e se tornou, para o bem ou para o mal, uma força poderosa”.

 

 

 

As duas faces da cultura do cancelamento

 

Como tudo na vida, a cultura do cancelamento tem o lado positivo e o lado negativo. E quais são eles?

 

  • Ponto positivo: é a indignação dos indivíduos em relação a situações que antes passavam despercebidas como, por exemplo, preconceito e machismo.
  • Ponto negativo: a intolerância e a falta de diálogo, o que pode gerar, muitas vezes, as injustiças.

 

Ou seja, não adianta cancelar marcas e pessoas sem discutir os reais motivos que as levaram a terem determinada atitude ou discurso.

É preciso uma mudança muito mais profunda para que uma pessoa não haja de forma racista e não apenas por medo de ser cancelada.

Já em relação às possíveis injustiças, recentemente tivemos o caso do americano Emmanuel Cafferty, de 47 anos.

De maneira resumida, ele voltava para casa dirigindo a caminhonete da empresa e, como fazia calor, estava com a janela aberta. Para estalar os dedos, manteve parte do braço para o lado de fora e fez movimentos repetidos com os dedos da mão.

Um desconhecido tirou foto deste momento, colocou-a no Twitter marcando a respectiva empresa e associou esse movimento de dedos a um símbolo utilizado pelas supremacias brancas nos Estados Unidos.

Em poucas horas, a vida de Cafferty foi devastada, culminando em sua demissão. Até o próprio autor da fotografia admitiu que pode ter exagerado na interpretação que fez do suposto gesto e que, apesar de ter marcado a empresa em que Cafferty trabalhava, não queria que ele fosse demitido.

Ou seja, sem direito à defesa, o tribunal da internet julgou e deu o veredito de culpado e a empresa, certamente com receio de ter sua marca associada a práticas racistas, demitiu seu funcionário de maneira sumária.

 

 

 

Como a cultura do cancelamento pode afetar as organizações e as marcas?

 

Como vimos, essa cultura do cancelamento pode afetar os mais diversos atores da sociedade: desde marcas, empresas, personalidades, governos e, até anônimos.

Do ponto de vista organizacional, isso se torna muito relevante.

Se antes as políticas internas de uma empresa eram um assunto organizacional, hoje se tal prática for considerada injusta ou intolerável, e se cair nas redes sociais, é possível ter uma avalanche de cancelamentos.

Assim, isso obriga as organizações que querem estar aderentes às novas demandas da sociedade e em evolução constante repensar grande parte das suas práticas e se perguntar:

Essa prática é coerente com os dias atuais?

Ela é moralmente aceita?

Está aderente às demandas da sociedade no geral e do meu público em particular?

 

Conclusão

 

Temos que entender a cultura do cancelamento como uma sanção imposta pelos próprios usuários no âmbito na Internet diante da violação de normas sociais existentes, de maneira explícita ou implícita.

Assim, as normas sociais são uma forma de regulação, uma vez que tenta inibir determinados tipos de comportamentos.

Porém, diferentemente do campo das leis e do Direito, que permitem a outra parte uma ampla defesa antes de ser dado o veredicto, a cultura do cancelamento praticamente não oferece espaço ao contraditório.

Assim, esse tribunal da internet tem vereditos imediatos, gerando uma onda de boicotes. Ou seja, a cultura do cancelamento é intolerante e rápida.

Por isso, cabe as empresas repensarem suas práticas, inclusive internas. A sociedade evoluiu e, com ela, a percepção sobre justiça, preconceito, dentre outros pontos. Além disso, mesmo que a empresa não pratique nenhuma ação desrespeitosa ou preconceituosa, é necessário levar em consideração a interpretação errada de determinada situação. Assim, evitar situações que podem gerar uma exposição desnecessária é algo para ser levado em consideração.

 

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