Comunicação Não Violenta Observação Sentimento Necessidade Pedido

18-06-2021

Comunicação Não-Violenta nas empresas: uma ideia viável?

Neste artigo explicamos o que é a Comunicação Não-Violenta (CNV) e explicamos como funciona este conceito na prática no dia a dia das empresas.

 

A Comunicação Não-Violenta é uma ideia carregada de mitos.

– É uma técnica de persuasão?

– Eu preciso ser um Buda para aplica-la?

– Eu vou engolir sapos a toda hora?

A resposta para todas estas perguntas é uma só: não.

Até pelo contrário.

A Comunicação Não-Violenta é uma tática que nos ajuda a expressar sentimentos. Sua meta é evitar conflitos usando uma linguagem clara e fácil de entender.

 

Mas cá entre nós: é viável aplicar a CNV no contexto empresarial?

Bom, isso depende.

Neste texto vamos explicar como tornar o caminho mais fácil.

 

Mas primeiro, você SABE o que é Comunicação Não-Violenta?

 

A Comunicação Não-Violenta é uma abordagem, um método, de comunicação desenvolvido pelo psicólogo americano Marshall B. Rosenberg.

Para entendê-la de fato, precisamos nos ater ao seu objetivo:

A ideia por trás da CNV está em proporcionar mais empatia entre os indivíduos. E o meio mais prático de fazer isso é através da nossa capacidade de falar e escutar.

Portanto, a Comunicação Não-Violenta, ao contrário da ideia citada anteriormente de que envolve “engolir sapos” ou coisas do tipo, consiste justamente em expressar um sentimento de maneira crua e sem julgamentos, visando iniciar uma conversa de duas vias, onde todo mundo escuta o que o outro fala, e fala de maneira que o outro possa entender.

Gostamos bastante deste vídeo, do programa CNN Tonight. A professora de retórica Maytê Carvalho explica a CNV por uma visão bem prática, mostrando como é importante pensar na mensagem que estamos passando.

 

É aquela coisa: dizer que está “P da vida”, “indignado”, sem explicar o porque, ou, principalmente, sem fazer um pedido concreto, não é exatamente o que vai convencer alguém a fazer o que você quer.

Uma das partes mais legais da CNV é que estamos tratando de um método sistêmico. Ou seja: existe um passo a passo para você aplicá-la no dia a dia, dividido em 4 pilares.

São eles:

 

Os 4 pilares da Comunicação Não-Violenta

 

1 – A observação:

 

Como nos referimos anteriormente, Comunicação Não-Violenta envolve falar, mas também ouvir e observar.

O primeiro passo para estabelecer empatia em um diálogo é tentar entender o próximo e também a si mesmo. Esta afirmação quase bíblica faz todo sentido quando pensamos num dos objetivo maiores deste método: evitar conflitos.

Observe. Mas faça isso sem julgamentos.

(Tente) entender exatamente o que está acontecendo, de maneira pura, sem influência de sentimentos e memórias do passado.

Por exemplo: digamos que um colaborador entregou, de novo, um relatório sem alguns detalhes importantes.

Poderíamos falar que a pessoa está desatenta, ou é displicente, ou que o relatório está ruim. Mas, honestamente, isso adiantaria alguma coisa?

Provavelmente não.

A grande questão aqui é definir o problema como ele de fato aconteceu.

Exemplo:encontrei alguns dados conflitantes no seu relatório”, “Ficou faltando avaliar o ROI da ação”.

Seja claro, com a pessoa e você mesmo. E a partir disso você consegue evoluir para o próximo passo.

Mas isso é só o começo. Ao final dos quatro passos, você vai entender onde queremos chegar.

 

2 – O sentimento

 

Se antes as emoções ficaram de fora, agora a atenção é 100% nelas.

Você avaliou o problema. Então responda: o que isso fez você sentir?

Por exemplo: já que o relatório tinha a inconsistência X, o que isso gerou em você?

Você se sentiu frustrado? Desmotivado? Irritado?

É importante deixar claro o impacto do ocorrido. Mas tente ser sincero, expressar este sentimento de maneira aberta.

A ideia aqui é desarmar a si mesmo, e não o “seu oponente”. Até porque, na Comunicação Não-Violenta isso nem existe.

Vamos ao próximo passo.

 

3 – A necessidade

 

Se temos um problema, e este problema causou algum tipo de sentimento negativo, é porque existia uma necessidade por trás disso, não é?

Então pontue, qual seria essa necessidade de fato?

  • Você precisa passar os relatórios, sem erros, para um superior?
  • Você precisa fazer isso logo?
  • Você gostaria de poder confiar no colega para agilizar a dinâmica de trabalho?

Tente definir a real necessidade, e estaremos prontos para iniciar nosso diálogo no próximo passo.

 

4 – O pedido

 

O pedido é uma das grandes chaves da CNV. Pois é a partir dele que o diálogo começa.

Se estamos falando de uma comunicação que busca criar empatia dos dois lados, você precisa falar de uma maneira em que seja facilmente entendido, não é?

Então, agora que você já:

  • Observou e definiu o real problema;
  • Entendeu como se sente a partir disso;
  • E sabe o que precisa.

Já pode fazer o seu pedido. Detalhe: se você não deixar claro o que você precisa, a pessoa não necessariamente vai adivinhar o que você quer.

Veja um exemplo:

“Fulano, analisei os seu relatório e vi que ficou faltando a análise do ROI nas ações da semana passada (observação). Isso me deixou um pouco frustrado (sentimento), já que preciso repassar estes dados para os meus superiores (necessidade). Você poderia incluir estes dados ainda hoje, para que a gente possa dar seguimento a esta demanda? (pedido)”.

 

Note que com este pedido você:

  • Desarmou-se, mostrando a sua vulnerabilidade no processo;
  • Não julgou o colega;
  • Não guardou rancores, pois expressou o que estava sentindo;
  • Fez um pedido claro;
  • Ficou mais perto de resolver o problema.

 

Se você falasse algo tipo:

“P%^A Fulano! Já é a quarta vez que você faz isso! O que você quer que eu faça com estes dados?”

Iria adiantar?

Talvez, sim. Talvez não. Mas você com certeza teria feito o dia de uma pessoa um pouco pior. Além de que, não deu um passo em direção à solução do problema.

 

Obviamente, a CNV tem um potencial enorme para sua empresa:

  • Reduz conflitos;
  • Resolve problemas;
  • É um conceito que pode ser usado na vida pessoal;
  • Ajuda seus colaboradores a se tornarem mais persuasivos;
  • Nos ajuda a entender uma situação por uma visão mais ampla e não reativa;
  • Desenvolve a empatia dentro da empresa.

 

Mas agora sejamos francos:

É possível aplicar a Comunicação Não-Violenta em uma empresa?

 

Sendo bem diretos: sim.

Mas saindo bem realistas: não é assim tão simples. Vai depender de dedicação de um número relevante de pessoas.

Do contrário, tudo fica só na ideia, nem chega na conversa.

Aqui vamos listar algumas dicas de como você pode fazer isso.

 

Mostre o impacto prático da CNV

 

É mais fácil convencer uma pessoa quando mostramos o impacto de algo. Quem afirma isso é o próprio Rosemberg, o inventor da CNV.

Neste sentido, tudo começa por mostrar os resultados práticos. E o bom é que este impacto vai direto ao encontro das emoções, outro meio bem efetivo de convencer uma pessoa.

Mostre como a CNV tem resultados na vida pessoal dos colaboradores.

Como isso ajuda a resolver conflitos dentro de casa, na família, com amigos.

Como essa pessoa vai conseguir argumentar com mais qualidades com clientes e parceiros de trabalho.

Ou mesmo como você consegue conduzir uma reunião com mais qualidade utilizando estes conceitos.

 

Livro “Comunicação Não-Violenta: Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais”

capa livro comunicacao nao-violenta

A ideia da Comunicação Não-Violenta é apresentada por Marshall no livro “Comunicação Não-Violenta: técnicas para aprimorar”.

Não existe manual mais completo sobre o assunto.

Aqui está o link se você quiser comprar.

 

Curso

 

Os cursos online dominaram o mundo.

E já existem algumas opções de curso sobre Comunicação Não-Violenta. Uma solução econômica e viável para um dia de treinamento, por exemplo.

Mas nada (a não ser o dinheiro, é claro) impede você de implementar um Workshop, convidando um especialista para falar sobre o tema.

Dica: siga o Instituto CNV Brasil

 

Comece pelas lideranças:

 

Quando queremos implementar uma nova técnica, um novo comportamento na empresa, sempre bom começar pela liderança.

Você pode distribuir o livro, ou mesmo fazer uma sessão restrita/focada de treinamento. E começar a implementar o conceito a partir das lideranças.

Desta forma, você tem seus porta-vozes entro da empresa, mas também tem alguém que irá acompanhar de perto os resultados práticos no dia a dia.

 

Mas lembre-se:

 

A empatia é um caminho de duas vias. Parte de você, e parte do outro.

Um dos grandes segredos está em saber que você pode facilitar este processo, justamente, através da comunicação.

Preocupe-se com a mensagem que VOCÊ está enviando, tanto ou mais do que com as mensagens emitidas pelos colaboradores.

 

E aí, ficou com alguma dúvida sobre Comunicação Não-Violenta?

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