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04-04-2020

Benefícios para saúde mental são tendência em empresas após o coronavírus

Em tempos de coronavírus, os benefícios relacionados à saúde mental se tornam objeto de desejo para empresas e colaboradores.

 

Dizer como o mundo será daqui pra frente é uma previsão bem difícil de se acertar. Conforme nossas crenças (filosóficas, políticas e espirituais), moldamos nossas teorias, preocupações e opiniões sobre o assunto.

Mas, aos poucos, algumas mudanças sutis podem ser percebidas de maneira mais clara. Parte delas, até positivas. Nos EUA, por exemplo, estudiosos defendem que a quarentena pode ter reflexos saudáveis na ansiedade infantil. No mesmo país, outro dado interessante ganha destaque: empresas e funcionários passaram adotar, e valorizar, a presença da saúde mental em seus programas de benefícios.

Segundo artigo do portal Business Insider, esta mudança já é percebida tanto pelos profissionais de RH, quanto pelos próprios provedores de programas ligados ao bem-estar emocional para colaboradores. Para se ter uma ideia, gigantes do mercado como StarBucks e PwC já adotaram a prática em sua política de benefícios. O artigo de hoje é sobre esta mudança de valores, que, aos poucos, devemos identificar até mesmo em território tupiniquim.

 

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Um novo olhar para nossa saúde física e mental

Muito se fala, e é preciso que assim seja, sobre possibilidades de colapso na saúde e na economia. Mas, conforme vamos avançando e aprendendo com a situação, torna-se perceptível que existe ainda um terceiro ponto, que funciona quase como um cordão umbilical, ligando saúde física e financeira. É a nossa saúde mental.

Trancados em casa, percebemos que tão importante quanto ter saúde e dinheiro para comer, é se manter mentalmente sãos em meio a um turbilhão de incertezas, preocupações e informações. A OMS (Organização Mundial da Saúde) define saúde mental como um estado completo de bem estar, que inclui o físico, o mental e o social.
Neste sentido, em meio a pandemia do coronavírus, destacamos a frase de Michael Fenlon, head de RH da PwC:

“Se as empresas não reconheciam a importância de apoiar os funcionários por meio de benefícios para a saúde mental, isso deve ficar claro agora”

No contexto atual, fica fácil de concordar com o que ele diz. Afinal, muitas empresas tem seus colaboradores trabalhando de casa, preocupados com tudo isso que falamos acima, ao mesmo tempo em que devem cumprir metas, tomar conta dos filhos 24h por dia e preocupar-se com seus parentes idosos. Fora os que estão completamente isolados, longe dos amigos e da família.

Se stress e ansiedade são reações naturais do nosso corpo, é igualmente natural que elas se acentuem em momentos de turbulência como este em que vivemos.

 

Coronavírus x Ansiedade no trabalho

O artigo da Business Insider cita uma pesquisa em andamento da SurveyMonkey, que já supera 80 mil pessoas, apontando que 86% dos americanos estão preocupados com o surto em seu país, e 91% preocupados com o impacto que isso tudo deve gerar na economia. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, estas preocupações extras podem causa níveis elevados de ansiedade.

 

Brasil é o país mais ansioso

Você sabia que o Brasil é o país com o maior número de ansiosos do mundo? Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 18,6 milhões de brasileiros têm transtornos relacionados com a ansiedade. Isso é o equivalente a 9,3% da população.

E se a ansiedade do país já andava em alta normalmente, com a chegada da pandemia isso pode ter ficado ainda pior. Vamos dar um exemplo: na semana entre 22 e 28 de março, a pesquisa pelo termo “Ansiedade” no Google atingiu seu pico no Brasil.

pesquisa google ansiedade
Crescimento do termo de pesquisa “Ansiedade” no Google Trends

Para se ter uma ideia do que isso representa, comparamos com a pesquisa pelo termo “Trabalho Remoto”. Mesmo que diariamente encontramos novos posts em blogs (nós mesmos já escrevemos um), no LinkedIn, e em outras redes sociais, sobre esta modalidade de trabalho à distância que muitas empresas de repente se viram forçadas a aplicar, a busca no Google comparada com o termo ansiedade chega a atingir a diferença de 3 a cada 100.

pesquisa google ansiedade x trabalho remoto
Comparação de crescimento de pesquisa entre os termos Ansiedade (em azul) e Trabalho Remoto (vermelho)

Chegamos ao ponto de fazer a comparação bizarra entre as buscas por ansiedade e pelo time do Flamengo, o principal do Brasil na atualidade. O interessante é que, no momento, os números são até parecidos. Claro que muito mais devido à queda de um (já que o futebol está paralisado), do que ao crescimento do outro. Mas em uma informação fora de contexto alguém poderia dizer que hoje a ansiedade é quase tão relevante quanto a torcida de Flamengo.

pesquisa google ansiedade x flamengo
Comparação de crescimento de pesquisa entre os termos Ansiedade (em azul) e Flamengo (vermelho)

 

A vez dos benefícios voltados à saúde mental

Seria injusto afirmar que as empresas não se importam com a saúde mental de seus colaboradores. Mas encarar isso como benefício oferecido ainda estava mais para tendência do que para realidade. Nos EUA, segundo relatório da SHRM (Society for Human Resource Management) publicado em 2019, 13% das empresas americanas fornecem acessos a programas de gerenciamento de estresse e 11% oferecem benefícios voltados a práticas de Mindfulness e Meditação.

Apesar disso, existe uma tendência de crescimento destes índices, principalmente em função da pandemia do coronavírus. Foi o que inspirou a PwC, segundo entrevista do seu chefe de RH para a Business Insider, a disponibilizar sessões de coaching para seus colaboradores, voltadas para o bem-estar. Também foi implementada uma comunidade online onde seu colaboradores podem discutir os desafios que estão enfrentando em decorrência do coronavírus.

E mais: a companhia já oferece para seus colaboradores e dependentes seis sessões de terapias gratuitas, suporte emocional confidencial via aplicativo, e aplicativos gratuitos com meditação guiada, técnicas para sono, respiração e músicas relaxantes.

 

Provedores de benefícios ligados à saúde mental ganham espaço no RH

Mostrando que não se trata de um caso isolado, as próprias empresas provedoras deste tipo de serviço relatam aumento na procura. É o caso do app BetterHelp, que afiram ter dobrado o número de novos membros com preocupações sobre estresse e ansiedade em fevereiro, quando comparado com o mês anterior.

E existem outros exemplos apontados pelo artigo:

  • O CEO do Limeade, plataforma que oferece programas de bem-estar para funcionários, afirma que seu trafego foi às alturas;
  • O chefe de ciência da Headspace, aplicativo de meditação, afirma que teve um aumento de 400% no número de empresas que ainda não usavam o app procurando suporte para os seus funcionários.

Somadas, estas plataformas atendem clientes como Dr. Pepper, Adobe, GE e Starbucks. Esta última, por sinal, anunciou recentemente que a partir de 6 de abril, todos os seus colaboradores que trabalham 20h por semana ou mais terão direito de ampliar seus benefícios de saúde mental no programa de assistência da empresa.

 

Mudança de pensamento é impulsionada pelos millennials e geração Z

O curioso nessa história toda é o que afirma Jones Bell, CSO da Headspace. Segundo ele, mesmo que muitas empresas estejam aderindo a este tipo de serviço, a mudança pode não estar sendo impulsionadas pelos chefões, e sim pelos colaboradores pertencentes às gerações mais novas, principalmente a Z e os Millennials.

Conforme estas gerações vão tomando conta da força de trabalho, seu poder de voz aumenta. E e eles vêm levantando com veemência a bandeira da saúde mental. Conforme informou Bell, isso faz com que as empresas decidam a investir neste tipo de serviço.

Já era de se esperar. Segundo uma pesquisa chamada “Millennials in Europe and Brazil”, realizada pelo Grupo Geometry/WPP, 38% da também chamada geração Y colocam a qualidade de vida no topo de sua lista de desejos, contra 24% que priorizam a carreira.

 

Uma nova realidade aplicada no Brasil

A preocupação com a saúde mental de colaboradores foi incentivada pela OMS já em 2017. Devagarinho, esta tendência também deve se confirmar no Brasil. Empresas como Unilever, Sodexo, Bayer e Camil, já possuem psicólogos dentro de suas organizações ou criaram sistemas de suporte psicológico.

Algumas startups, assim como os apps americanos apontados anteriormente, também vem ganhando força. Como é o caso da Hisnëk, software que possibilita que colaboradores tenham um acompanhamento diário do seu estado mental. Em seu portfólio de clientes, conta com gigantes como Nokia, Alelo, Glassdoor, entre outras.

Mas como esta realidade pode ser aplicada em empresas de pequeno e médio porte? Bom, entendendo (e aceitando) a importância de investir na saúde mental dos seus colaboradores, líderes conseguem se tornar criativos. A internet está repleta de conteúdos e aplicativos do estilo. Versões freemium de apps de meditação guiada, ou até mesmo pagas, podem ser utilizadas em determinados momentos da jornada de trabalho. O mesmo vale para o incentivo à prática de esporte, ou investimento em ferramentas de análise de perfil.

Conforme muda a realidade financeira de uma empresa, novas possibilidades de investimento se abrem. Mas é importante entender que é sempre possível fazer este tipo de investimento sem que isto signifique rios de dinheiro. Basta pesquisar pelos novos players que vêm surgindo, e ser criativo.

E aí, gostou do nosso artigo? Você acha que esta tendência deve se tornar realidade no Brasil? Conte pra gente! Aproveite para ler nosso guia sobre “Como ser mais produtivo em casa”.